Dia do vestibulando: dicas para se dar bem na redação
Você que está lutando para entrar na faculdade no meio do ano, ou no final dele, sabe que a nota da redação é decisiva em qualquer concurso. Por causa disso, professores de colégios e de cursinhos vivem inventando dicas e fórmulas pra você se sair bem nessa prova de fogo. A ideia é ajudar, claro! Mas tem umas coisas que atrapalham, e muito.
Considerando que o gênero mais pedido é o dissertativo-argumentativo, alguns professores podem querer convencer os alunos: – de que a introdução deve ter por volta de 5 linhas; – de que o desenvolvimento deve ter 2 parágrafos argumentativos; – de que a conclusão é um resumo, e outras regras. Se for o seu caso, fique alerta porque esses critérios não fazem parte de nenhum vestibular, nem do Enem.
Mas são apenas de fórmulas encontradas para você não ultrapassar as 30 linhas permitidas e dar conta da proposta. Só que isso engessa a sua criatividade, além do risco de desrespeitar a regra da paragrafação: para cada ideia nova, um parágrafo novo.
Ótimos exemplos de textos dissertativos-argumentativos são os editoriais dos jornais. Eles provam que nada disso existe! Procure ler um agora mesmo.

O que não pode, de jeito nenhum:
Caligrafia ruim ou ilegível: os examinadores têm por volta de 1 minuto para corrigir cada uma das centenas de redações. Eles não vão perder tempo com aquelas letras que não conseguem entender. O que fazer: se sua letra é ruim, escreva em letra de forma ou treine uns meses antes em caderno de caligrafia.
Fuga do tema: é uma falha constante que leva ao zero inevitável. Dissertações sofisticadas na estrutura, sem erros gramaticais e até bem escritas, mas que fugiram ao tema levam “zero sofisticado”. O que fazer: leia muito bem a proposta e grife as palavras-chave. Ao final, releia sua redação criticamente verificando se ela está fiel ao tema proposto. É só lembrar que cada parágrafo que nasce é filho do anterior e todos têm que se relacionar com o tema.
Erro de gênero textual: esse é o tipo de erro que também pode zerar a redação. Escrever uma poesia, uma narração, um texto de opinião, quando o que se pede é uma dissertação. O que fazer: procure saber como é cada gênero para não confundir um com outro na hora H.
Argumentos frágeis: uma tese se defende com argumentos sólidos e bem justificados. Generalizações, chavões, lugares-comuns são malvistos. O que fazer: aumentar sua bagagem de referências sobre cultura, política, sobre o que acontece no mundo.
Falta de coerência, de coesão e de informação: textos colcha-de-retalhos, sem lógica, desconectados uns dos outros, ou textos que não evoluem e apenas incham, recebem notas muito baixas. O que fazer: pense com lógica, passe para o papel suas ideias, uma após a outra, em sequência linear, todas conectadas pela lógica. E faça seu texto evoluir acrescentando novas informações. Nem pense em encher linguiça.
Perda de concentração: tente não se desconcentrar, porque antes de entrar na sala de provas você ouviu comentários que causaram medo ou ansiedade. Tente não se importar, só porque seus vizinhos escrevem mais rápido que você ou porque todo mundo está entregando a prova antes de você. Nada disso significa que sua redação seja pior (ou melhor). O que fazer: como diz a música, manter a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo.
Boas provas!
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