Como transformar uma ideia em escrita

Quando você recebe um comunicado, vai logo procurando o recado que o autor quer passar, pois você precisa captar a mensagem dele e decidir o que fazer com ela; até deletar, se for o caso. Quanto mais fácil de ler, mais rápido você segue a vida. No post de hoje, vou explicar como construir a […]

Quando você recebe um comunicado, vai logo procurando o recado que o autor quer passar, pois você precisa captar a mensagem dele e decidir o que fazer com ela; até deletar, se for o caso. Quanto mais fácil de ler, mais rápido você segue a vida.

No post de hoje, vou explicar como construir a ideia principal de um texto. Mas antes de escrever, é preciso planejar: entender por que você vai escrever, quem vai ler, o que você quer dizer e em qual meio a mensagem será lida. Para isso, escrevi um artigo sobre este tema.

Se você já entendeu como planejar sua ideia antes de escrever, vamos, agora, começar a construí-la.

Aqui, no Brasil, geralmente, escrevemos na ordem direta com: Sujeito Verbo Complemento.

Observe: quase sempre anunciamos primeiro ‘quem’ – é o Sujeito que pode ser uma coisa ou uma pessoa que pratica ou sofre a ação da nossa frase.

Em seguida, vem o Verbo, que é a ação.

Por fim, vem o Complemento, se o verbo precisa ser completado pra frase ter sentido.

Vamos entender melhor o que é essa sequência Sujeito Verbo Complemento, em 3 exemplos bem simples.

  • Eu gosto de sorvete.
  • Nosso site oferece as melhores ofertas.
  • A companhia aérea faliu.

As 3 frases começam anunciando quem pratica ou sofre a ação: esse é o Sujeito. Lembrando que o Sujeito pode ser uma coisa; não é sempre que o sujeito é um ser humano, uma pessoa. É só lembrar que o Sujeito é o responsável pela ação da história que você vai contar.

Note que dos 3 exemplos, só um sujeito é gente: ‘Eu’. Nos outros dois, os sujeitos são coisas: ‘Nosso site’ e ‘A companhia aérea’.

Depois do Sujeito vem a ação, que é o Verbo. Nos nossos exemplos, as ações são: gostar, oferecer e falir. Eles aparecem já conjugados nas frases pra combinar com os seus Sujeitos: gosto, oferece e faliu.

Agora só falta o Complemento, mas você só vai precisar dele se o verbo exigir alguma coisa pra dar sentido à ação. Dos nossos 3 exemplos, só 2 verbos exigem complemento: gostar e oferecer.

Verbo gostar: não dá pra dizer ‘Eu gosto’, sem dizer do que gosto, porque fica sem sentido; daí o verbo exige um Complemento.

O exemplo ficou assim: Eu gosto de sorvete. Sorvete é o Complemento do verbo gostar, na estrutura Sujeito Verbo Complemento do nosso primeiro exemplo.

Com o verbo oferecer é a mesma coisa. Também não dá pra dizer ‘Nosso site oferece’, sem dizer o que oferece. Aqui, o Complemento é ‘as melhores ofertas’: Nosso site oferece as melhores ofertas.

No último exemplo, o verbo “falir” não pede complemento, porque ele é um verbo que já diz tudo: faliu; não tem o que explicar; o leitor já entendeu: ‘A companhia aérea faliu’. Só tem Sujeito e Verbo.

Portanto, se você se comunicar usando essa mesma sequência que todo mundo usa pra falar, o cérebro de qualquer leitor vai entender muito mais rápido o que você quer dizer.

Observe como é difícil de compreender o nosso Hino Nacional:

“Ouviram do Ipiranga as margens plácidas de um povo heroico o brado retumbante

Difícil saber Quem Faz o Que. Nosso cérebro tem que se contorcer pra conseguir entender. O poeta que compôs este hino sabia qual era a ideia. Mas ele trocou a ordem simples da fala direta, porque curtia a linguagem indireta, moda do Parnasianismo, um movimento literário.

Em ordem simples, o verso ficaria assim:

 “As margens plácidas do Ipiranga ouviram o brado retumbante de um povo heroico”

Agora, vamos analisar uma manchete de jornal pra você sentir como ela anuncia a ideia principal, usando a estrutura Sujeito Verbo Complemento, que nada mais é do que o foco da notícia, a ideia principal.

Avanço da dengue deixa cerca de mil cidades em patamar de epidemia.

Já sabe quem é o Sujeito que pratica a ação desta notícia? Se você não tem certeza, é só perguntar ao verbo. Neste caso, é o verbo deixar: quem é que deixa cerca de mil cidades em patamar de epidemia? Resposta: Avanço da dengue. Pronto! Achou o sujeito, que não é gente. E já tem o verbo.

Agora só falta o Complemento, porque o verbo deixar não é suficiente pra dar sentido à notícia. É só perguntar Avanço da dengue deixa o quê? Resposta: cerca de mil cidades em patamar de epidemia. Pronto: completou a estrutura Sujeito Verbo Complemento.

Jornal é um espaço caro; tem que passar logo a informação, sem enrolação, pra convencer o leitor.

Com você não é diferente; você tem que comunicar o máximo com o mínimo de palavras para convencer 1 ou 1 milhão de leitores. Esta é a dica: use a fórmula Sujeito Verbo Complemento, sem rodeio, com simplicidade, para comunicar a ideia principal.

 

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E até o próximo texto!

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